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INFORMAÇÃO CLÍNICA | Patologia do Sono | Asma


Patologia do Sono

Quando a capacidade de dormir é alterada ou o sono se intromete nas actividades diárias normais de uma pessoa, as causas devem ser investigadas.
Com mais de 70 possíveis distúrbios do sono já conhecidos, a Medicina do Sono utiliza-se de várias estratégias e princípios organizados para diagnosticá-los e tratá-los correctamente.
De entre todas as patologias do sono, a ventiloterapia encontra na Síndroma da Apneia do Sono (SAS) o seu campo de actuação, estando igualmente indicada em doenças neuromusculares, deformações músculo-esqueléticas da caixa torácica e insuficiência respiratória crónica (IRC) de causa pulmonar.

         Síndrome da Apneia do Sono (SAS):

A SAS é uma patologia crónica, progressiva e incapacitante, que resulta de eventos repetidos de obstrução das vias aéreas superiores durante o sono.
Esta obstrução pode ser total ou parcial, provocando respectivamente episódios de apneia ou hipopneia. A quantidade de episódios que ocorrem por hora de sono determina a gravidade desta patologia.

Sintomas como
- ressonar intenso,
- paragens respiratórias,
- excessiva necessidade de ir à casa-de-banho durante a noite,
- sonolência diurna excessiva,
- dores de cabeça matinais,
- secura da boca,
- perturbações sexuais,
- cansaço ao despertar,
 sugerem facilmente a presença da doença.

A SAS possui uma elevada taxa de mortalidade e morbilidade, que se deve às complicações cardiorespiratórias (arritmias cardíacas, insuficiência respiratória, acidente vascular cerebral) e neuropsiquiátricas (perturbações emocionais, depressão, problemas familiares e sociais) provocadas pela patologia.

O diagnóstico de SAS deve ser confirmado por Estudo Poligráfico do Sono (EPS) ou por sistemas simplificados de registo cardiorespiratório com um mínimo de três canais.

 

Abordagem terapêutica da SAS:

Pode ser feita a vários níveis, nomeadamente:
- tratamento clínico comportamental (higiene do sono);
- tratamentos mecânicos por aparelhos geradores de pressão positiva de ar (CPAP/BiPAP);
- tratamentos cirúrgicos.

Actualmente, o tratamento mais efectivo para a SAS é o uso de pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP).

É importante frisar que o CPAP não cura a patologia, contudo o seu tratamento continuado minimiza o impacto da doença, optimizando a qualidade de vida do utente.

A experiência mostra que a aplicação de pressão positiva através de uma interface (máscara) elimina os eventos respiratórios, corrige a saturação de oxigénio e a macroestrutura do sono. Assim, melhora a sonolência diurna e naturalmente a qualidade de vida. Há alguma evidência que o tratamento com CPAP diminui a mortalidade, a sinistralidade rodoviária e a incidência de patologia cardiovascular.
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         Síndroma das Resistências Aumentadas das Vias Aéreas Superiores (SRAVAS):

A SRAVAS resulta de um aumento da resistência da via aérea superior durante o sono e caracteriza-se pelo aparecimento durante a noite de microdespertares (arousals), provocando uma fragmentação do sono, secundários a episódios repetidos de aumento do esforço respiratório durante o sono. Pode ocorrer progressão do estreitamento aéreo e evolução para a Síndroma de Apneia e Hipopneia Obstrutiva do sono.
Esta síndroma traduz-se por uma obstrução das vias aéreas superiores (VAS) insuficiente para criar apneias, hipopneias e dessaturações, mas suficiente para perturbar a microestrutura do sono e aumentar o esforço respiratório. Ou seja, caracteriza-se por uma fragmentação da microestrutura do sono secundária a episódios de luta inspiratória, progressivamente aumentada contra uma obstrução parcial das VAS.
Os microdespertares nocturnos são responsáveis pela desorganização do sono e aparecimento de hipersonolência diurna.
Não existe um “perfil tipo” de um doente com SRAVAS, mas usualmente apresentam roncopatia associada a noção de sono fragmentado, insónia, sonhos vividos e por vezes parassonias.

As queixas diurnas incluem sonolência, fadiga, ansiedade, mialgias, dificuldades cognitivas, cefaleias, tonturas e impotência sexual, perfil clínico com aspectos sobreponíveis à SAS e a síndromas funcionais somáticos (fibromialgia, síndroma de fadiga crónica).
A perda de peso, o CPAP, as próteses bucais são todas as modalidades terapêuticas viáveis em doentes com SRAVAS, que têm merecido ultimamente mais destaque pela literatura.
Até à data, a CPAP é o tratamento mais utilizado, com eficácia comprovada: O tratamento com CPAP com pressões baixas reduz o índice de despertares.
Não obstante da ausência de apneias e hipopneias, estes pacientes, que meramente parecem requerer um esforço acrescido para manter o fluxo de ar, têm despertares, sintomas e resposta ao tratamento com CPAP muito semelhantes aos doentes com apneia do sono.

 

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